‘Tráfico de crianças com a ajuda do Estado’

‘Tráfico de crianças com a ajuda do Estado’

Vítima de caso adoção ilegal quer ir à tribunal

‘Tráfico de crianças com a ajuda do Estado’

Esther Wemmers
Amsterdã – Uma vítima de um escândalo de adoção ilegal em larga escala da década de 80 quer entrar com uma ação uma ação contra o Estado dos Países Baixos por causa da corresponsabilidade no tráfico de crianças e por privação da origem.

No início da década de 80 em grande escala, casais holandeses para evitar em longas listas de espera de adoção, fingiram uma gravidez com uma almofada debaixo do vestido quando entraram no avião rumo ao Brasil. Uma vez no país, receberam, com ajuda de intermediários, um bebê que os casais, então, registraram como seu filho biológico por meio de documentos falsificados. Dessa forma, dentro de um curto período curto de tempo, entraram dezenas de meninos adotados do Brasil ilegalmente em nosso país.

Como, em geral, faltavam documentos oficiais e declarações de abandono para muitos desses meninos é quase impossível rastrear suas raízes. “Finalmente consegui encontrar minha mãe verdadeira. Isto durou mais de dez anos e custou 120.000 euros”, conta Patrick Noordoven (34), que quer com a ajuda do escritório de advogados Prakken d’Oliveira instaurar processo para ser indenizado pelos danos materiais e imateriais resultantes da adoção ilegal.

Falsas Testemunhas

“Intermediários holandeses apareceram como falsas testemunhas. Também se sabe que funcionários holandeses do serviço diplomático participaram nessas práticas ilegais.” conta Patrick. Por exemplo, um jurista holandês emitiu dezenas de documentos falsificados seguindo às ordens da embaixada e do consulado. Mas quase ninguém foi perseguido juridicamente por ser suspeito de co-participação em dissimular a origem.

“Como é possível que todas essas pessoas que colaboraram nessas práticas de adoção ilegal ficarem impunes? Por meio de um julgamento, quero, entre outros, receber uma resposta à esta pergunta. Não desejo à ninguém o que a aconteceu comigo, que não recebi quase nenhuma informação nem ajuda e que ninguém tomou realmente a sério meu direito à identidade.*

A advogada Brechtje Vossenberg de Prakken d’Oliveira confirma que no momento está investigando se está (esteve) em questão que ao Estado holandês podem ser atribuídas atividades ilegítimas. “É dever do Estado holandês garantir o direito à identidade de seus cidadãos, tal como o direito que tem qualquer pessoa de saber as suas origens.”

 

Foto: Patrick Noordoven observa quando o exame de DNA é tomado de uma de suas irmãs. “Eu finalmente consegui encontrar minha mãe biológica. Mas isso me levou mais de dez anos e 120.000 Euros.”

Telegraaf141031